A década de 80, para quem curtiu a adolescência, foi recheada de bailes e matinês, onde as baladas românticas da época eram tocadas à exaustão. E quem disse que alguém se cansava? As semanas pareciam meses tanto era a vontade de ir aos bailes. Estes por sua vez e na maioria eram animados pelos conjuntos eletrônicos, um arsenal de som e luzes que faziam pirar uma juventude sedenta por mostrar seus passos de dança ensaiado durante a semana, e muitos ensaiavam em grupo e nos bailes faziam passos idênticos, tudo com a aprovação e admiração da platéia que as vezes parava de dançar para ver as exibições. Lembro me que a bebida em sua maioria consumida pelos rapazes, era uma mistura de bebidas doces com outras mais fortes, a tal “farmácia” que aumentava a confiança e a coragem para chegar nas mocinhas e tira-las para dançar. Eu mesmo fiz uso deste artifício inúmeras vezes e os resultados eram positivos. Não tomávamos cerveja, a nossa grana sempre curta nos mantinha longe desta que hoje é a mais apreciada bebida entre os jovens. Muitas foram as vezes em ficávamos esperando a portaria abrir para então adentrarmos aos bailes, não porque queríamos, mas sim porque não tínhamos condições financeiras para o fazê-lo! A vida era bem mais difícil, andávamos a pé, de bicicleta, de trator (o mesmo que usávamos para arar a terra, a noite era nosso carro) íamos amontoados sobre a maquina por 10, 20, 30 quilômetros em busca de nossos objetivos; bailes, meninas e tudo mais que nos proporcionassem a oportunidade de arrumar uma paquera ou mesmo um simples bate papo. Depois dos bailes saiamos estrada a fora, muitas vezes acompanhados de nossas namoradinhas e mais um punhado de casais recém formados naqueles bailinhos que irão ficar em nossas lembranças pelo resto de nossos dias.