Hoje vou falar um pouco do radio, esse companheiro que sempre me despertou um interesse além do comum. A muito tempo quando as rádios eram todas AM, nós já tínhamos um daqueles rádios enormes com seis faixas, a marca era Canário um nome até sugestivo! Ouvíamos a radio Record e a Nacional, não era costume ouvir durante o dia, pois as pilhas eram caras e os rádios as devoravam rapidinho, então como não tinha televisão o radio fazia o papel de informar e divertir a maioria das pessoas que moravam na zona rural como nós. Meu pai ouvia a noite e de madrugada quando se levantava para ir na roça, os programas preferidos eram do Edgar de Souza e do Zé Béttio, este começava as cinco da manhã na radio Record. Lembro-me de suas brincadeiras, quando mandava as ouvintes encostarem os ouvidos no radio para ele assoprar… Eu nunca vi ninguém encostar, mas que ele assoprava, assoprava! Hoje ele nos altos de seus 83 anos, já não faz mais programas, deixou a Record e um punhado de ouvintes entristecidos. Edgar de Souza nesta época se não me engano trabalhava na radio Nacional/Globo, seu modo de fazer radio diferia dos demais da época por empregar bem o português e uma dicção impecável. Antes de ir para uma radio de verdade, trabalhava em um serviço de alto-falantes em Salvador sua cidade natal, sua persistência o levou a começar na extinta radio Piratininga em São Paulo e o sucesso veio rápido, era conhecido como o animador das mil palavras. Seu grande sucesso foi alcançado na Rádio Globo/Nacional, onde apresentava programa sertanejo, gênero que o consagrou. Infelizmente ele Faleceu no dia 18 de julho de 2007, vítima de parada cardíaca. Ele residia em Curitiba (PR) e seu último trabalho no Rádio foi na Tropical AM (1.320 kHz – Curitiba/PR). Seu corpo foi cremado. Estes e muitos outros bons radialistas fizeram a história do radio, conquistaram milhares de ouvintes Brasil a fora e deixaram uma legião de ouvintes desamparados. Hoje a radio perdeu espaço para a televisão, para a internet e até para o celular. Vale ressaltar que a má qualidade da programação ajudou e ainda empurra a radio para o buraco. Temos muitas radio boas, mas a maioria insiste em desrespeitar os ouvintes com musicas tediosas e brincadeiras de muito mal gosto. Trocaram a qualidade pela quantidade e quem mais perde é o ouvinte. Hoje com o advento da internet as web rádios espalham-se como fogo na relva seca, e a caixinha falante vai sumindo aos poucos, dando espaço a computadores e suas mais de 10.000 web rádios. Se você tem uma história, mande para nós para que possamos enriquecer o espaço!

Angelo Miquelão Filho – http://www.radiodiscomix.com