Que atire a primeira pedra quem nunca dançou ao som de ‘Staying Alive’ do Bee Gees, num daqueles bailinhos adolescentes ou se pegou imitando aquela coreografia básica do Tony Manero em Os Embalos de Sábado a Noite. E quem nunca o fez, sinceramente, não sabe o que está perdendo.

O Bee Gees, banda formada pelos três irmãos Gibb, criou o estilo inconfundível das três vozes divididas em tons diferentes embaladas em ritmos ora dançantes, ora românticos na década de 70. Apesar dos altos e baixos da carreira, os Bee Gees são irresistíveis numa pista de dança, até hoje.

Nascidos na Inglaterra, os Gibb mudaram-se para a Austrália, e foi lá onde começaram a carreira musical, com a união dos irmãos Barry Gibb, e dos gêmeos Robin e Maurice Gibb.

O nome do grupo vem da pronúncia em inglês da abreviação de Brothers Gibb, B.G.. Os senhores Gibb, Barbara e Hugh, também eram cantores. Os três garotos começaram cedo, encorajados pelo pai, ainda em sua cidade natal, e costumava dizer que eles eram o diminutivo brancos dos Mills Brothers, uma banda negra de sucesso dos anos 30 e 40.

As primeiras performances dos Gibb aconteceram em casas de show em Manchester, em 1955. Em 1958, se mudaram para a Austrália, e continuaram fazendo apresentações. Até que a voz de Barry Gibb atraiu a atenção do DJ local, Bill Gates, (!) que os levou a cantar em casas noturnas locais mais conhecidas. Nessa época, os Gibb adotaram outros nomes para a banda, The Blue Cats, e The Rattlesnakes, foram alguns deles. Felizmente nenhum vingou.

Em 1962, assinaram contrato com a gravadora Festival Records da Austrália, já com o nome de Bee Gees, e o primeiro single foi ‘Three Kisses of Love’. Os garotões já apareciam em programas de TV e tocavam nas rádios locais, apesar de o sucesso ainda ser modesto.

Em 1963 e 1964, acompanharam a explosão dos Beatles, e o surgimento da música pop, e com as mudanças musicais e sociais advindas do fenômeno pop, perceberam a toada que deveriam seguir. Em 1967, mudaram-se novamente para a Inglaterra, porém no meio da viagem souberam que a música ‘Spicks and Specks’, que haviam gravado há pouco tempo, estava no topo das paradas australianas.

Coisas do destino, mas, mesmo assim, não mudaram os planos e seguiram  para a  Inglaterra, lá era onde fervilhava o rock, e o pop dos Beatles. Logo na chegada, espalharam demos fresquinhas do hit no point por gravadoras de várias cidades, e assim atraíram a atenção de Robert Stigwood, produtor de muitas bandas pop inglesas, inclusive dos próprios Beatles, além de grandes espetáculos teatrais.

O trio assinou um contrato de cinco anos com Stigwood, e iniciou sua longa estrada rumo ao sucesso. A fusão das três vozes era perfeita. Os três irmãos se revezavam também entre vocal, baixo e guitarra. Barry era o líder e vocal principal sendo que, mais tarde, entraram para o grupo, o guitarrista Vince Melouney, e o baterista Colin Petersen.

Em 1967, o disco Nova York Mining Disaster 1941, ficou entre as vinte mais tocadas na Inglaterra e nos Estados Unidos. As músicas rotuladas de psy pop, tinham um estilo psicodélico, com letras completamente enigmáticas, beirando o absurdo, que… agradaram. O disco teve dois hits, ‘Holiday’ e ‘To Love Somebody’.

Os Bee Gees estavam, gradativamente, dominando o mundo. Stigwood fez acordos com a gravadora Polydor para o lançamento dos Gibb na Inglaterra e Europa, e a Atlantic Records seria a responsável por lançar os irmãos na tão almejada América. A barganha não parou por aí. O estilo de música dos Bee Gees mudou quase que radicalmente, da psicodelia para o romantismo e dor de cotovelo, o que surpreendeu até o próprio empresário.

A partir daí, o acordo com a Atlantic fechou no seguinte: O Bee Gees teria seu novo trabalho lançado por eles contanto que Stigwood produzisse uma banda novata chamada Cream, da qual fazia parte o ainda desconhecido guitarrista Eric Clapton. Trato feito, o Cream, lançou seu Disraeli Gears, e o Bee Gees lançou o single ‘Massachusetts’, em 1967, ambos fizeram sucesso, e todo mundo se deu bem.

Para aproveitar a generosidade do destino, ainda em 1967, foi lançado o primeiro álbum  Bee Gees First, que teve repercussão, mas não tanto quanto os que seriam lançados depois dele, Horizon e Idea, ambos de 1968.

Estes dois foram discos fortes, com  melodias extremamente trabalhadas, mixagem de elementos eletrônicos e orquestra, e delicados nas letras. Neles também há composições dos três Gibbs. Todos os integrantes, inclusive, o baterista e o baixista puderam arriscar um vocal, e uma composição própria. Risco antes assumido, na mesma época, somente pelos Beatles.

Em 1968, o LP Idea, rendeu mais dois grandes sucessos, “I Started a Joke’ e ‘I’ve Gotta a Message to You’. A primeira canção, se tornou um dos clássicos dos Gibb. Já foi gravada por vários cantores, inclusive por bandas de rock.

A partir de 1969, a harmonia de antes deu lugar a disputas e desentendimentos entre os três egos, agora inflados, famosos e ricos. Nesse mesmo ano, saiu o novo trabalho, Odessa, um disco de rock progressivo, com faixas de até sete minutos, com belas vozes em coral, solos de guitarra nunca antes experimentados, um trabalho inovador.

Porém, os irmãos não se entendiam e chegavam a discordar sobre qual seria a música a ser lançada como carro-chefe. Resolveram se separar e seguir carreiras solo. Com essa quebra, Odessa, nunca vendeu ou teve a divulgação que mereceu.

Depois de algumas tentativas fracassadas e outras nem tanto, novas músicas e ânimos mais calmos, o trio quase perfeito começou a trabalhar junto novamente, de forma progressiva, eles emplacaram novos hits. Em 1971, eles lançam o sucesso internacional ‘How Can You Mend a Broken Heart’, a canção faz parte do famoso álbum Trafalgar, onde o Bee Gees retoma sua batida soul, e o ritmo dançante dos primeiros discos. Ainda em 1971, o disco 2 Years On, por outro lado, foi um fracasso comercial.

Em 1972, o single, ‘Run to Me’, ficou entre as vinte melhores, já o álbum To Whom it May Concern, do mesmo ano, passou quase despercebido, rapidamente, pelo trigésimo quinto lugar.

O Bee Gees estava visivelmente perdendo terreno. Em 1973, o álbum Life in a Tin Can produzido pela RSO Records, foi outro trabalho mal-sucedido, apesar da campanha promocional e das vendas ter sido enorme. Os Gibb mudaram sua base de produção da Inglaterra para os Estados Unidos.

Em 1974, o novo álbum Mr. Natural finalmente foi aprovado como sucesso comercial. De produtor novo, Arif Mardin, o álbum introduziu batidas de soul, e o som estava mais ao gosto americano. Essa retomada daria mais liberdade para os Gibb produzirem o som que quisessem. Em 1975, saiu Main Course. Começa aí a melhor fase dos Bee Gees, responsável pelo seu legado. Novos elementos foram incluídos, ritmos dançantes, funk e a costumeira harmonia. Foi então, que Barry Gibb arriscou o seu famoso falsete e descobriu como cativar as multidões.

Em 1976, Children of the World, lançou dois megahits, ‘You Should Be Dancing’, especial para as pistas, e ‘Love So Right’ e lançam seu primeiro álbum ao vivo, Bee Gees Live, incluindo novos e antigos sucessos.

A era disco estava apenas começando e chegou aos cinemas, o que deu força total ao movimento. Em 1977, os Gibb participaram da trilha sonora do filme Os Embalos de Sábado à Noite. Com as músicas ‘Stayin Alive, ‘Night Fever’, e ‘How Deep is Your Love’, eles alcançaram o número um em todas as paradas e permanecem no topo por 24 semanas, o disco com a trilha vendeu 15 milhões de cópias mundialmente, a melhor vendagem de uma trilha sonora até hoje.

Este disco, unido ao sucesso do filme atingiu todas as camadas de público, inclusive e em especial, o público homossexual. Os Gibb vendiam tantos discos quanto os Beatles na década de 60, e os shows estavam sempre lotados. O ritmo disco misturado ao soul, foi a verve mais marcante do som do Bee Gees e agora eles estavam mais quentes que nunca.

Era impossível não se impressionar com as acrobacias vocais de Barry. Em 1979, o álbum Spirits Having Flown, vendeu 30 milhões de discos, e ainda veio acompanhado de mais três singles número um, ‘Tragedy’, ‘Too Much Heaven’, e ‘Love You Inside Out’. O quarto irmão, Andy Gibb, também fazia carreira de sucesso como cantor.

Depois desse último disco, a lei implacável da física e do destino começou a atuar sobre o trio. Já que “tudo o que sobe tem que cair” e “depois de todo apogeu vem a queda”0 os ventos começaram a soprar contra. A era disco começava a decair por diversos fatores. Além da crise econômica na América, na época do governo Reagan e do caos político, uma onda de moralização tomou conta dos Estados Unidos e do público em geral.

Campanhas contra as drogas e o sexo sem compromisso, que foram verdadeiras filosofias de vida durante os anos 60 e 70, pipocaram, e posters dos Bee Gees foram queimados em sinal de protesto, já que a banda era ícone da era disco que estava por conseqüência associada com o consumo de drogas, homossexualismo e sexo livre.

As rádios boicotaram descaradamente os grandes hits dos Gibb. A má fase culminou com a participação no fracasso cinematográfico, Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band, inspirado no álbum homônimo dos Beatles, de 1978. O desastre só não foi maior, porque nesse mesmo ano, Barry Gibb compôs a música título do filme Grease, para Frankie Valli.

O álbum de 1981, Living Eyes, fracassou totalmente, e não obteve apoio de rádios. Sem sucesso em trabalhos prórpios os Bee Gees produziram músicas para Barbra Streisand, Diana Ross e Dionne Warwick.

Durante a década de 80, os Gibb ficaram quase invisíveis, nenhum trabalho obteve muita repercussão. Em 1987, o álbum E.S.P, teve uma recepção um pouco melhor, com exceção aos EUA, que continuava o embargo contra as músicas dos ingleses.

Em 1988, um novo abalo sacode de vez as estruturas do grupo: a morte do irmão mais novo, Andy Gibb, depois de muito tempo de uso abusivo de álcool e drogas. No ano seguinte, voltaram com novo disco, One, que ficou entre os dez melhores nos Estados Unidos.

Durante a década de 90, eles continuaram gravando e lançaram coletâneas e singles. Em 1997, lançaram o álbum Still Waters, e entraram para Rock and Roll Hall of Fame. Em 1998, saiu o segundo álbum ao vivo da banda, One Night Only,gravado no MGM Grand Hotel.

Em 2000, os Gibb participaram do vídeo This is Where I Came In, um documentário sobre toda a trajetória do grupo.

Em 2003 um novo golpe. Dessa vez os Bee Gees perderam Maurice Gibb, que faleceu aos 53 anos. Apesar da nova quebra, eles ainda continuaram com o nome Bee Gees, mas ainda não lançaram nenhum novo disco desde então.

No decorrer de sua carreira os Bee Gees deixaram deliciosos hits, para se dançar colado ou não, de um estilo sensual e irresistível, que certamente ainda vai abalar pistas de dança por algumas décadas, pelo menos.

This is Where I Came In

2001

Still Waters

1997

Size Isn’t Everything

1993

High Civilization

1991

One
1989E.S.P.

1987

Staying Alive
1983Living Eyes
1981Spirits Having Flown
1979Saturday Night Fever
1977Children of the World

1976

Main Course
1975Mr. Natural
1974Life in a Tin Can
1973To Whom it May Concern
1972Trafalgar
1971Two Years On
1971Cucumber Castle
1970Odessa
1969Idea

1968

Horizontal
1968Bee Gees 1st
1967Spicks and Specks

1966

The Bee Gees Sing and Play 14 Barry Gibb Songs
1965

Por Giseli Miliozi


Website: http://www.beegees-world.com/