Eric Clapton já foi chamado de tudo. “Melhor guitarrista de todos os tempos”, “o melhor bluesman da história” e até de “Deus”. Exageros de fãs à parte, sua carreira é de fato extraordinária, tanto pelo quanto produziu quanto pela qualidade do que produziu. Com um talento inquestionável, Clapton foi, é, e sempre será influência obrigatória para os grandes músicos, em especial os guitarristas. Referência para instrumentistas de peso como Eddie Van Halen, Clapton tocou com os maiores nomes do blues e do rock’n’roll, participou dos maiores e mais renomados festivais de música e entalhou seu nome entre os melhores do mundo.

No ano de 1945 aconteceram dois fatos positivos para a humanidade. Encerrou-se um dos piores conflitos humanos, a Segunda Grande Guerra e em 30 de março nascia Eric Patrick Clapton, na cidade de Ripley, Inglaterra. Um evento não pode nem de longe ser comparado ao outro, mas que ambos foram benéficos, foram. O mundo podia comemorar.

No início de sua adolescência, Clapton ganha sua primeira guitarra. Como a maioria dos garotos da época, apaixonou-se pelo instrumento depois de ver na televisão uma apresentação de Elvis Presley.

Seu interesse musical foi focado no blues, e Clapton acabou espelhando em nomes como os de Robert Johnson e Muddy Watters. Estudava guitarra sozinho até que em 1962, apresentou-se pela primeira vez em público. Neste ano, Eric estava pensando em se tornar designer de vidro, porém a carreira musical “falou” mais alto.

Tentou a sorte em algumas pequenas bandas, sem obter êxito até o ano de 1963, quando então entrou para o Yardbirds. O “mão-lenta”, como foi apelidado pelo seu empresário na época, integrava o Yarbirds ao lado de Jeff Beck e Jimmy Page, outros dois monstros da guitarra, que formariam mais tarde o Led Zeppelin.

Uma banda que possuia músicos como Page, Beck e Clapton só poderia fazer sucesso. Porém, o Yardbirbs estava abandonando o blues e aos poucos seguindo uma linha mais pop. Clapton não admitia esta mudança e desta maneira sai do grupo em 1965 para integrar o John Mayall & the Bluesbreakers.

Em 1966, a banda grava o álbum Bluesbreakers with Eric Clapton e fazem diversos shows pelos Estados Unidos. O trabalho é muito bem aceito pelo público e parecia até que o grupo faria enorme sucesso. Mas desentendimentos entre Mayall e Clapton fazem com que este abandone o conjunto.

Após sua passagem por duas bandas que, apesar do pouco tempo de vida-útil, consolidaram Clapton como hábil guitarrista, ainda no ano 1966, ele reuniu grandes músicos e acabou formando o que viria a ser sua principal banda, o Cream.

Além de Clapton, o Cream era integrado por Jack Bruce, baixista, e Ginger Baker, baterista, e teve três discos lançados, Fresh Cream (1966), Disraeli Gears (1967) eWheels of Fire (1968). Após o lançamento do terceiro disco, novamente Eric — como já era de praxe — se desentende com Ginger Baker e abandona o Cream. O trio durou pouco mais de dois anos, tempo suficiente para se tornar referência no mundo do blues e do rock.

Decide então formar com Jack Bruce e Stevie Windwood o Blind Faith, que teve apenas um disco lançado Blind Faith, em 1969, mas que causou enorme polêmica na época, devido a capa que exibia uma menina nua. O álbum foi um sucesso.

Em 1970 Eric Clapton lança seu primeiro trabalho solo, que leva seu nome. No fim do mesmo ano, lança com a banda Derek and the Dominos o disco Layla and Other Assorted Love Songs, onde está a famosa canção ‘Layla’, uma de suas marcas-registradas. A música não ficou conhecida apenas por sua beleza, mas também por sua história, já que ‘Layla’ era uma declaração de amor de Clapton à mulher do ex-Beatle George Harrison, Patty Boyd.

“Layla significou muito pra mim, pois era sobre uma experiência emocional, sobre uma mulher pela qual tive um sentimento muito profundo, mas que não me deu bola”, declarou Clapton em 1974 à revista Rolling Stone. Na verdade, depois da música e de alguns desencontros, Patty finalmente cedeu ao apelo da guitarra de Clapton e os dois iniciaram um romance.

Clapton teve uma rápida passagem ainda pela banda Duane Allman, sua última, que após sua saída mudou o nome para The Allman Brothres.

Os início dos anos 70 foram complicados para Eric. Seu envolvimento com álcool e drogas quase comprometeu sua carreira. Volta com todo o “gás” possível em 74, quando lança 461 Ocean Boulevard, um de seus melhores álbuns. Este álbum foi responsável pela revelação de Bob Marley ao mundo. A música ‘I Shot the Sheriff’, quinta faixa do álbum e de autoria do jamaicano, ficou imortalizada graças a Clapton.

Sai em 75 There’s One in Every Crowd e no ano seguinte No Reason to Cry.Slowhand (1977) traz duas de suas principais músicas: ‘Cocaine’, composta por J.J. Cale, e ‘Wonderful Tonight’, uma das mais belas composições de Clapton, que também foi dedicada à sua musa, Patty Boyd.

A década de 80 não foi tão boa para o deus-da-guitarra. Lançou disco medianos, que não chamaram tanto a atenção da crítica e do público, com excessão deJourneyman (1989).

Começam os anos 90 e vem sua tão esperada passagem pelo Brasil, durante a turnê de Journeyman.

Dois desastres marcam a vida do músico. Em 1990 morre seu amigo, o também grande guitarrista Stevie Ray Vaughan, em um acidente de helicóptero, onde estavam mais três membros da equipe de Eric.

No ano seguinte seu filho, de quatro anos, cai do oitavo andar do prédio onde morava. Clapton expressa toda sua dor na canção ‘Tears in Heaven’, feita para o filho.

O álbum Unplugged (1992) rendeu a Clapton a incrível marca de 6 prêmios Grammy, tornando o acústico um de seus, senão o mais bem sucedido trabalho.

Na onda do sucesso, vem em 1994 From the Cradle, considerado por especialistas como um dos melhores álbuns de blues do músico.

Novamente um acontecimento na vida particular do músico vem à tona. Clapton descobre em 1998 que seu verdadeiro pai chamava-se Edward Fryer e fora um soldado canadense.

Em 2000 grava Riding with the King, uma parceria e tributo com o rei do blues, B.B. King. No ano seguinte lança Reptile e retorna novamente ao Brasil, e em 2002 lança o álbum ao vivo One More Car, One More Rider.

Em 2004 foi condecorado como Comandante da Ordem do Império Britânico, devido ao peso de sua obra e a contribuição de toda uma vida à indústria fonográfica britânica. Eric ambém ganhou sua placa na Calçada da Fama, em Hollywood.

Eric Patrick Clapton também é responsável por diversas obras de caridades e shows beneficentes como Crossroads Guitar Festival, organizado por ele para atender viciados em álcool e drogas.

Se chamá-lo de “Deus” é considerado excesso de admiração para alguns, sem dúvida sua obra fala por ele. Clapton pode até pode não ser Deus. Mas que tem o toque divino, isso é inegável.

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2005Me and Mr. Johnson
2004Reptile
2001Riding With the King
2000Pilgrim
1998From the Cradle
1994Rush
1992Journeyman
1989August
1986Behind the Sun
1985Money and Cigarettes
1983Another Ticket
1981Backless
1978Slowhand
1977No Reason to Cry
1976There’s One in Every Crowd
1975461 Ocean Boulevard
1974Eric Clapton
1970

Por Leonardo Cássio


Website: http://www.ericclapton.com/